terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sobre palavras, sonhos e sutileza


    Olá, pessoal. Depois de anos e anos procrastinando a criação do meu blog, aqui está ele. Fiquei horas pensando qual seria meu primeiro post, afinal, resolvi não delimitar o blog em um só assunto, e por esse motivo dei-me de encontro com milhares de temas voando pela minha cabeça, e laçar um só, diante dessa infinidade de palavras querendo tomar forma, foi muito difícil. Por esse motivo, resolvi postar aqui o texto que eu escrevi para o concurso da editora Abril, que tinha como temática o que era ser jornalista para mim. Nada muito fenomenal, mas fala um pouquinho da minha história, quem eu fui, sou hoje e o que eu penso sobre o jornalismo (minha atual profissão). Enfim, espero que gostem! =)


Sobre palavras, sonhos e sutileza

    Desde pequena gostava de inventar histórias. Filha única, nasci em Tietê, cidadezinha interiorana em que todo mundo conhece todo mundo, as ruas são tranqüilas e há árvores espalhadas pelas calçadas.  Quando era criança, gostava de pegar meus brinquedos e ir com eles para onde eu quisesse: íamos juntos para fazendas, florestas, para o Pólo Norte, Sul ou até mesmo para a (minha) África. Mas, na maioria das vezes, eu não precisava da ajuda dos meus brinquedos. Apenas deitava no sofá, ficava olhando o céu e me perdendo no meu mundo de fantasias.
    À medida que fui crescendo, sentia a necessidade de colocar minhas histórias no papel. Minha mãe costumava me levar todas as semanas à biblioteca da cidade e logo peguei  gosto pela leitura. E daí eu não parei mais. Todos os anos ganhava um diário novo, onde eu contava para aquelas páginas cheias de ursinhos e corações sobre meus medos, meus sonhos e meus amores platônicos e inocentes de quando eu era quase uma adolescente.Quando estava no colegial, minha paixão por livros, pintura e música acompanhava também a vontade adolescente de “salvar o mundo”, mas parecia era algo tão maior que eu, tão inalcançável. Lembro que uma vez meus amigos e eu tivemos a ideia de ir tocar modas de viola no asilo da cidade. “Os velhinho iriam adorar, iam ficar superfelizes!”. Gravamos até um cd com as músicas que entrariam no repertório, mas a falta de talento musical nos fez adiar todas as apresentações. Ficaram os planos, a vontade e a memória de   canções que não se concretizaram.
    Na época, já tinha pensando em ser jornalista várias vezes, mas também queria ser artista, psicóloga, musicista. Mas o gosto pela escrita e a ingênua vontade de mudar as coisas fizeram com que eu optasse pelo jornalismo. E depois de muitos estudos e dedicação, lá estava eu em Bauru, numa universidade pública!
    Na faculdade conheci muitas pessoas como eu, que buscavam ir “contra a corrente”, gostavam de escrever poesia e conversar sobre o Woodstock. Durante os anos, minha vontade e certeza de que queria ser jornalista foram crescendo, apesar de algumas frustrações ao longo do caminho. Com o tempo, descobri que não dava para salvar o mundo daquela maneira que falavam os livros, mas podia tocar uma pessoa por meio de palavras e salvá-la do desconhecimento, da dúvida ou simplesmente da solidão. E com isso descobri a enorme e sutil importância do jornalismo para as pessoas.
    Hoje, às vezes olho para trás e vejo aquela garota com brilho nos olhos, que lutava para conciliar influências de Aldous Huxley e Clarice Lispector no mesmo texto, tocava Beatles e se divertia com a idéia de sair plantando flores pelos buracos de cimento nas calçadas. Fico pensando o quanto dela ainda existe em mim e se ela se orgulharia de me ver onde estou hoje. E fico feliz, realmente muito feliz, em pensar que aquela garota pudesse abrir um sorriso maior que o mundo se soubesse que descobri o quanto simples gestos, simples palavras escritas, podem fazer a diferença. Que você não precisa ser maior que o mundo para ajudá-lo, basta fazer aquilo em que você acredita.

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